quarta-feira, 8 de maio de 2013

F O L C L Ó R E

Danças e músicas


No Pará a música ecoa pelos quatros cantos do Estado. De norte a sul os ritmos vão ganhando novas cores e passos de acordo com a História de cada região. A gente dessa terra tem no sangue o gosto pela dança animada de rua ou pela sensualidade de ritmos "calientes", como o Lundu. Percorrendo o interior do Estado se ouve de longe a batida forte do carimbó ou o arrasta-pé do xote bragantino assim como outro ritmos como:

 

 

 

 

 

 

 

DANÇA DO CARIMBÓ

A mais extraordinária manifestação de criatividade artística do povo paraense foi criada pelos índios Tupinambá que, segundo os historiadores, eram dotados de um senso artístico invulgar, chegando a ser considerados, nas tribos, como verdadeiros semi-deuses.
Inicialmente, segundo tudo indica, a "Dança do Carimbó" era apresentada num andamento monótono, como acontece com a grande maioria das danças indígenas. Quando os escravos africanos tomaram contato com essa manifestação artística dos Tupinambá começaram a aperfeiçoar a dança, iniciando pelo andamento que , de monótono, passou a vibrar como uma espécie de variante do batuque africano. Por isso contagiava até mesmo os colonizadores portugueses que, pelo interesse de conseguir mão-de-obra para os mais diversos trabalhos, não somente estimulavam essas manifestações, como também, excepcionalmente, faziam questão de participar, acrescentando traços da expressão corporal característica das danças portuguesas. Não é à toa que a "Dança do Carimbó" apresenta, em certas passagens, alguns movimentos das danças folclóricas lusitanas, como os dedos castanholando na marcação certa do ritmo agitado e absorvente.

COREOGRAFIA:

A dança é apresentada em pares. Começa com duas fileiras de homens e mulheres com a frente voltada para o centro. Quando a música inicia os homens vão em direção às mulheres, diante das quais batem palmas como uma espécie de convite para a dança. Imediatamente os pares se formam, girando continuamente em torno de si mesmo, ao mesmo tempo formando um grande círculo que gira em sentido contrário ao ponteiro do relógio. Nesta parte observa-se a influência indígena, quando os dançarinos fazem alguns movimentos com o corpo curvado para frente, sempre puxando-o com um pé na frente, marcando acentuadamente o ritmo vibrante.
As mulheres, cheias de encantos, costumam tirar graça com seus companheiros segurando a barra da saia, esperando o momento em que os seus cavalheiros estejam distraídos para atirar-lhes no rosto esta parte da indumentária feminina. O fato sempre provoca gritos e gargalhadas nos outros dançadores. O cavalheiro que é vaiado pelos seus próprios companheiros é forçado a abandonar o local da dança.
Em determinado momento da "dança do carimbó" vai para o centro um casal de dançadores para a execução da famosa dança do peru, ou "Peru de Atalaia", onde o cavalheiro é forçado a apanhar, apenas com a boca, um lenço que sua companheira estende no chão. Caso o cavalheiro não consiga executar tal proeza sua companheira atira- lhe a barra da saia no rosto e, debaixo de vaias dos demais, ele é forçado a abandonar a dança. Caso consiga é aplaudido.

INDUMENTÁRIA:

Todos os dançarinos apresentam-se descalços. As mulheres usam saias coloridas, muito franzidas e amplas, blusas de cor lisa, pulseiras e colares de sementes grandes. Os cabelos são ornamentados com ramos de rosas ou jasmim de Santo Antônio. Os homens apresentam-se com calças de mescla azul clara e camisas do mesmo tom, com as pontas amarradas na altura do umbigo, além de um lenço vermelho no pescoço.

DENOMINAÇÃO:

A denominação da "Dança do Carimbó" vem do titulo dado pelos indígenas aos dois tambores de dimensões diferentes que servem para o acompanhamento básico do ritmo.
Na língua indígena "Carimbó" - Curi (Pau) e Mbó ( Oco ou furado), significa pau que produz som. Em alguns lugares do interior do Pará continua o título original de "Dança do Curimbó". Mais recentemente , entretanto, a dança ficou nacionalmente conhecida como "Dança do Carimbó", sem qualquer possibilidade de transformação.

INSTRUMENTOS TÍPICOS:

O acompanhamento da dança tem, obrigatoriamente, dois "carimbos" (tambores) com dimensões diferentes para se conseguir contraste sonoro, com os tocadores sentados sobre os troncos, utilizando as mãos à guisa de baquetas, com os quais executam o ritmo adequado. Outro tocador, com dois paus, executa outros instrumentos obrigatórios, como o ganzá, o reco-reco, o banjo, a flauta, os maracás, afochê e os pandeiros. Esses instrumentos compõem o conjunto musical característico, sem a utilização de instrumentos eletrônicos.  

DANÇA DO SIRIÁ

A mais famosa dança folclórica do município de Cametá é uma das manifestações coreográficas mais belas do Pará. Do ponto de vista musical é uma variante do batuque africano, com alterações sofridas através dos tempos, que a enriqueceram de maneira extraordinária.
Contam os estudiosos que os negros escravos iam para o trabalho na lavoura quase sem alimento algum. Só tinham descanso no final da tarde, quando podiam caçar e pescar. Como a escuridão dificultava a caça na floresta, os negros iam para as praias tentar capturar alguns peixes. A quantidade de peixe, entretanto, não era suficiente para satisfazer a fome de todos.
Certa tarde, entretanto, como se fora um verdadeiro milagre, surgiram na praia centenas de siris que se deixavam pescar com a maior facilidade, saciando a fome dos escravos. Como esse fato passou a se repetir todas as tardes, os negros tiveram a idéia de criar uma dança em homenagem ao fato extraordinário. Já que chamavam cafezá para plantação de café, arrozá para plantação de arroz, canaviá para a plantação de cana, passaram a chamar de siriá, para o local onde todas as tardes encontravam os siris com que preparavam seu alimento diário.

COREOGRAFIA:

Com um ritmo que representa uma variante do batuque africano, a "dança do siriá" começa com um andamento lento. Aos poucos, à medida que os versos vão se desenvolvendo, a velocidade cresce, atingindo ao final um ritmo quase frenético. A "dança do siriá" apresenta uma rica coreografia que obedece às indicações dos versos cantados sendo que, no refrão, os pares fazem volteios com o corpo curvado para os dois lados.

ACOMPANHAMENTO MUSICAL:

Tal como a "dança do carimbó", os instrumentos típicos utilizados são dois tambores de dimensões diferentes: para os sons mais agudos (tambor mais estreito e menor) e para os sons graves (tambor mais grosso e maior). Os passos são animados ainda por ganzá, reco-reco, banjo, flauta, pauzinhos, maracá e o canto puxado por dois cantadores.

INDUMENTÁRIA:

Também chamada pelos estudiosos como "a dança do amor idílico", a "dança do siriá" apresenta os dançarinos com trajes enfeitados, bastante coloridos. As mulheres usam belas blusas de renda branca, saias bem rodadas e amplas, pulseiras e colares de contas e sementes, além de enfeites floridos na cabeça. Já os homens, também descalços como as mulheres, vestem calças escuras e camisas coloridas com as pontas das fraldas amarradas na frente. Eles usam ainda um pequeno chapéu de palha enfeitado com flores que as damas retiram, em certos momentos, para demonstrar alegria, fazendo volteios. Observa-se, na movimentação coreográfica, os detalhes próprios das três raças que deram origem ao povo paraense: o ritmo, como variante do batuque africano; a expressão corporal recurvada em certos momentos, característica das danças indígenas; e o movimento dos braços para cima, como acontece na maioria das danças folclóricas portuguesas.

Pará Paidégua






Introdução

 

 







     


        O Pará é segundo maior estado do Brasil em questão de território, talvez por isto exista uma grande diversidade tanto social quanto natural,podemos observar isso através da cultura regional que é na verdade uma mistura de ritmos e raças convivendo harmoniosamente e constituindo esse povo alegre, simpático e receptivo.
        
Vamos conhecer melhor as características que constituem o Pará como culinária, frutas tipicas,danças, músicas, pontos turísticos e lendas regionais. Esta webquest e direcionada para você estudante, que cente curiosidade de conhecer mais da cultura dessa terra tão rica, que é o nosso Pará.

Culinária


Culinária do Pará apresenta como sua maior influência a cultura indígena e, um pouco da portuguesa e africana. Os ingredientes básicos são oriundos da exuberante natureza da Amazônia como camarão, caranguejo, peixes, aves e caças todos temperados com folhas, pimentas de cheiro e ervas. São cozidos em panelas de barro ou assados em moquéns e embebidos de tucupi. Alguns dos pratos típicos da região são mais conhecidos como:

Pato no tucupi
Maniçoba
Caruru
Vatapá
Tacacá
Chibé 

Frutas típicas


São encontradas generosamente nos alagadiços dos rios, furos e igarapés ou nos altos das terras firmes. Com mais de uma centena de espécies comestíveis, são as frutas regionais as responsáveis diretas pelo indefinível, requintado e, muitas vezes, exótico sabor das deliciosas sobremesas que enriquecem a mesa paraense. Aqui temos alumas delas:
 












Açaí, Bacaba, Castanha - do - Pará, Pupunha, Piquiá, 
Taperebá, Tucumã, Cupuaçu, Bacuri.


É uma atividade que remota dos povos primitivos, atravessou a antiguidade e que teve na Idade Média o seu apogeu, "marcando uma fase de história do trabalho como Era do Artesanato" (1).No nosso século, a sua importância despontou em 1930, quando em Roma, reuniram-se 14 países europeus no I Congresso Internacional de Artesanato, evento este realizado periodicamente até hoje.A palavra artesanato é um neologismo francês - artisanat, usado pela primeira vez em um artigo de Julião Fontgne, publicado pela "La Gazette des Métiers", de Estrasburgo, França, em 1920.
O advento do progresso industrial em nada abalou esta atividade; pelo contrário, ocorreu uma valorização e uma ampliação do setor, passando a ter um destacado papel em economias altamente industrializadas como a norte-americana, a sueca, a alemã, a canadense, a inglesa, entre outras.
É hoje em dia uma fonte de divisas para países como o México, a Índia, a Tailândia, a Coréia e as Filipinas, que mantém um permanente comércio com os países industrializados. Os Estados Unidos destacam-se como o maior importador do mundo, seguido pelo Canadá, Alemanha, Suíça e Inglaterra.
As características básicas do artesanato evidenciam ser uma atividade do tipo industrial, de natureza econômica típica. O seu processo de produção não comporta produção em série; o seu produto final pode ser padronizado, porém deverá conservar toda uma originalidade, típica de um trabalho manual. O executor desta atividade é o artesão, que participa de todas ou quase todas as fases do processo produtivo. A sua base de produção é domiciliar ou em oficinas localizadas em centros associativos de produção. É portanto um trabalho autônomo, sem vínculo empregatício, onde todos participam do resultado final obtido na comercialização das peças.
O contexto cultural é a base da função artesanal. O artesanato inexiste fora de seu meio, onde os hábitos, os costumes, as tradições, os conhecimentos e as experiências, geram as condições para a sua origem e existência. Quando este contexto cultural é agredido, a função artesanal passa a sofrer uma descaracterização. Esta agressão é praticada por indução das normas de comercialização: a produção deve ser feita para atender exclusivamente as regras do mercado, que solicita mercadoria barata, fácil de vender, de embalar e de transportar.
O artesanato é um segmento cultural rico, com suas raízes na vivência cotidiana do homem. Apresenta-se, sem dúvida alguma, como a manifestação mais fiel da cultura de um povo, sua força expressiva, sua fonte vivificadora de inspiração. Caracteriza-se como uma arte ingênua, basicamente não acadêmica, fundamentada em técnicas tradicionais e ligada à toda uma tradição nativa livre de influências externas.
O artesanato paraense espelha o contexto cultural do seu povo, do homem da região Amazônica — índio, caboclo, amazônida — e do seu meio ambiente: floresta, rio, animais, lendas, mitos...
Este artesanato está representado por vários ramos — cerâmica, cestaria, talha, objetos de madeira, de ouriço, de cheiro, de conchas, cuias e outros materiais, criando um segmento importante e criativo da nossa cultura, sendo também uma vertente para a economia paraense, muito embora ainda pouco explorada e que não dispõe de uma política governamental específica que atenda os seus dois eixos básicos: cultura e mercado.
A seguir, pretende-se abordar os vários ramos de artesanato comercializados no Estado do Pará, apresentando características de origem, de estilo, materiais empregados, formas, tipos de utilização, seja como adorno ou utilitária. Será dado um enfoque maior para a cerâmica, principalmente a baseada em achados arqueológicos originários da cultura amazônica pré-cabralina, por ser o ramo mais representativo do nosso artesanato em termos de identidade cultural, estética e maior demanda por parte das pessoas interessadas em adquiri-lo, segmento este na sua maior parte constituído pelos turistas.
Este artigo está baseado fundamentalmente nos estudos e pesquisas que se desenvolveu no Instituto do Desenvolvimento Econômico-Social do Pará (IDESP), órgão de pesquisa do Governo do Estado do Pará. A bibliografia citada servirá de base para o leitor interessado em ampliar seus conhecimentos sobre o assunto. A maior parte dos estudos e pesquisas realizados no IDESP estão com edições esgotadas ou mesmo não chegaram a ser editados - somente tiragens internas datilografadas e/ou mimeografadas em número reduzido - sendo que o produto final destes estudos e pesquisas foi publicado em 1973, pelo IDESP, em impressão da Gráfica Falângola com o título de "Arte Popular do Pará".

Terruá Pará traz exposição de artistas da terra

Foto: Camila Lima
A alegria e a personalidade de cada artista que compõe o Terruá Pará 2012 estão estampadas sobre o olhar dos artistas paraenses Junior Lopes e Walda Marques, que prepararam uma exposição especial no hall de entrada do Auditório Ibirapuera, onde acontece o evento nesses dias 5, 6 e 7 de outubro, em São Paulo.
O público que comparecer para curtir a temporada do “Terruá Pará 2012”, poderá também apreciar o trabalho de artistas paraenses, que prepararam a exposição a partir de fotografias e telas feitas com retalhos de tecido. “A ideia é homenagear os artistas que fazem a música paraense ser tão rica, além de uma oportunidade de mostrar o nosso trabalho em outra vertente artística”, exaltou a fotógrafa Walda Marques.
Esta é a primeira vez que o Terruá Pará incorpora em sua temporada o trabalho de artistas que atuam em setores diferentes da música, o que agrega mais um toque da cultura paraense. “ Um dos objetivos do projeto é agregar outras linguagens culturais, valorizando e difundindo aquilo que é produzido pelos artistas do Pará nas mais variadas vertentes”, explicou o Secretário de Comunicação do Estado, Ney Messias.
Usando a técnica de compor telas com retalhos de tecido, Junior Lopes deu uma nova roupagem a imagens dos artistas que estarão em cena no espetáculo, enquanto que Walda Marques traz um pouco de seu olhar sobre os artistas em fotografias que estarão expostos à apreciação do público. “Fiquei muito feliz quando recebi o convite para expor meu trabalho durante o espetáculo, que já é uma vitrine para o trabalho de tantos artistas do Estado. Isso não só valoriza a arte produzida no Estado como enriquece mais o espetáculo”, ressaltou Junior Lopes.
Para a presidente da Funtelpa, Adelaide Oliveira, esse é um momento para celebrar a cultura paraense. “A exposição desses dois artistas mesclada ao espetáculo musical só vem acrescentar mais ainda ao Terruá Pará, pois mostra que a nossa riqueza cultural vai além da música e que temos grandes talentos em outros seguimentos da arte”, explicou.

ARTE E SOCIEDADE



Arte transforma você

Uma pintura pode ser sentida como o amor ou o luto? Pode mudar a vida de alguém? Pode mudar o mundo? A julgar pelos artistas, críticos e estudantes ouvidos neste Caderno G Ideias, as respostas são: sim, sim e sim. A arte resistiu a uma quantidade atordoante de mudanças (o cinema foi uma delas, para ficar num exemplo) e dá sinais de que tem poderes para resistir a outras mais. Além de avaliar o que a arte pode fazer por você, os textos a seguir mostram o que você pode fazer pela arte: buscar entender o que o agrada e o que não o interessa, procurar referências antes de ir a um museu e, mais que tudo, tentar entrar numa exposição com a guarda baixada, pronto para levar um direto de direita.
O esqueleto de um cubo de ferro ocupa um ambiente de paredes pretas na Casa Andrade Muricy. Objetos de metal parecem sair dele, ou entrar nele. É uma explosão, com fragmentos voando para todo lado, ou são nuvens – sendo a leveza que sugerem uma proeza por se tratar de traquitanas com mais de 30 quilos –, ou são morcegos que voam para fora de uma caverna.
Aniele Nascimento
Aniele Nascimento / Ampliar imagem
Hordas de turistas visitam o Louvre todos os dias e ficam em pé diante de um Rembrandt, mas não sentem nada e caminham para a pintura ao lado. Ensinaram a eles que Rembrandt é um mestre, mas eles não conseguem entender por que e, às vezes, até gostariam de entender, mas não têm ferramentas adequadas para apreciar o trabalho. É por isso que as lojas dos museus estão sempre lotadas. Mais importante do que apreender algo abstrato acerca de uma determinada obra, é possuir algum tipo de objeto que eles imaginam ser capaz de validar, de materializar a visita ao museu.
Miguel Nicolau Abib Neto, artista plástico.
Manual
O crítico de arte Benedito Costa montou um guia resumido do que é bom saber para ampliar a experiência de ir a uma exposição. O ponto de partida está aqui – são questões que você pode ter em mente.
1. Quem está expondo ou sendo exposto?
2. Trata-se de uma exposição histórica, uma retrospectiva, a apresentação de um trabalho novo? É uma coletiva de artistas?
3. O artista ou artistas expostos já são conhecidos? Pertencem a um grupo ou movimento?
4. Vou para ver quadros ou posso encontrar esculturas, instalações, vídeos, performances etc.?
5. Terei paciência para filas, para encontrar o inusitado, para não gostar?
6. Quem é o curador?
7. Como a exposição foi montada?
8. O proprietário da coleção é um banco? As obras são do museu? São empréstimos de outros museus? Compõem um acervo único ou estão ali temporariamente?
9. Conheço ou não o que vou ver? Li sobre isso?
10. Estou aberto a inovações ou quero ver o já classificado, ordenado, (parcialmente) resolvido?
11. Consigo estabelecer um diálogo entre o que verei e outras artes, e com minha vida? Com o momento histórico?
12. O artista que vejo pertence a um movimento, tem um discurso próprio? Ele representa o que na história da arte de seu país?
A obra de José Antonio de Lima é parte da exposição (im)permanências, que o museu exibiu até o fim do mês passado, e pode fazer você se sentir bem. Ou mal.
Você também pode não sentir nada e ainda assim se perguntar: “Por quê?”. Por que você não sente nada? A resposta para essa questão sendo o ponto de partida para descobrir que tipo de arte faz a sua cabeça.
“O quanto a arte é poderosa?”, pergunta o historiador Simon Schama na série Power of Art, produzida pela BBC em 2006 e baseada no livro de mesmo nome, publicado no Brasil pela Companhia das Letras. “Ela pode ser sentida como o amor ou o luto? Pode mudar sua vida? Pode mudar o mundo?”
Schama procurou respostas escrevendo um livrão ilustrado de 500 páginas, além de fazer o roteiro e apresentar os oito episódios da minissérie ainda inédita no Brasil, mas disponível no YouTube sem legendas. E ele encontra argumentos muito bons, com a ajuda de Caravaggio, Picasso, Rothko e outros cinco gênios da pintura.
“A crença apaixonada de Van Gogh era que as pessoas não veriam apenas os seus quadros, mas sentiriam a urgência da vida neles. Que pela força do seu pincel e pelo deslumbre das cores, elas sentiriam aqueles campos, aquelas faces, aquelas flores. O que, de outra maneira, jamais seria possível. Sua arte assumiria o que antes pertencera à religião: apreciação do dom da vida como consolo pela nossa mortalidade”, diz Schama, num texto apaixonado, durante o capítulo dedicado a Vincent van Gogh (1853-1890), pronunciando o “gh” do sobrenome do artista como um erre gutural.
“Trigal com Corvos” tinha efeito incontestável há 120 anos, mas qual é o impacto de um quadro como esse hoje?
“O poder da arte é indiscutível”, diz Benedito Costa, professor e crítico de arte. “Tão grande que resiste e resistiu a outras manifestações culturais instigantes, como o cinema, por exemplo.”
Todos os citados neste texto falaram da capacidade que a arte tem de transformar quem é exposta a ela. Poucos adjetivos serão tão impactantes quanto este: transformadora. É admitir que uma pintura pode, de fato, mudar alguém.
“Creio que ela tenha não apenas o poder de uma representação do eu e do outro, como o poder de transformação do eu e do outro”, diz Costa.
O artista plástico José Antonio de Lima acompanhou a reportagem numa visita à sua exposição. A certa altura, uma professora quis cumprimentá-lo, agradecendo a permissão dada para que crianças cegas tocassem as esculturas – umas feitas de metal, outras, de tecido. Sentir as obras com as mãos torna mais fácil para imaginar formatos e texturas.
Quando alguém comenta a sua obra, Lima ouve com atenção. Ele realmente quer saber o que os outros pensam, diferente do que sugere a visão típica do artista refratário à opinião do público – pense em Nick Nolte vivendo o pintor Lionel Dobie no episódio “Lições de Vida”, no filme Contos de Nova York (1989). Um sujeito capaz de hostilizar até quem compra seus quadros.
Lima não. As interpretações parecem fasciná-lo. “É mesmo?”, diz ele quando alguém aponta para uma pintura dizendo: “Esta é minha favorita”.
Aline de Lima, estudante de Artes Visuais na Universidade Tuiuti, trabalha como guia na Andrade Muricy e orientou uma turma de crianças com deficiência visual, observando como elas reagiam intensamente às obras. Quando tocam uma peça de metal, se ela é pontuda, elas chegam a se encolher e recuar. “E não querem mais tocá-la”, diz Aline.
Nem toda obra é transformadora. Algumas, para usar um termo dito por Lima, são “lúdicas”. De acordo com Costa, “a arte também pode ser apenas um objeto de contemplação. Simplesmente”.
Mariana Leme, artista gráfica com trabalhos publicados em revistas como Bravo! e Arte e Letra: Estórias, põe em questão o fato de se sentir bem ou mal diante de uma obra. “Não acho que essa seja uma questão importante”, diz. “A arte nos permite entender melhor a vida, as coisas, o que quer que seja. E talvez ‘entender’ não seja um bom termo, mas refletir sobre uma época, o papel social de cada um, a questão do trabalho, do trabalho artesanal. Questionar, enfim. Verificar barreiras, desnudar conflitos e ambiguidades mascaradas numa banalização grotesca cotidiana de imagens, pensamentos e (por que não?) formas de vida.”
Mariana deu essa resposta de encerrar qualquer discussão por e-mail. Arte contra o entorpecimento, contra a indiferença. Pessoalmente, ela expõe suas ideias contundentes com uma voz suave e um pouquinho grave. É um contraste. Desenha belissimamente, mas não pensa em seguir carreira como artista. Prefere a crítica.
“A arte é um espaço privilegiado de reflexão, que pode ter caráter estético/plástico ou político, ou histórico – na verdade, as obras de arte que se realizam apresentam todas essas facetas juntas”, diz Mariana.
Para o artista plástico Miguel Nicolau Abib Neto, professor do Centro Europeu, nem todo mundo está sujeito ao poder da arte. “Ele só tem efeito sobre certos indivíduos. Acredito que a arte aciona um mecanismo preexistente que as pessoas carregam dentro de si, seja ele consciente ou inconsciente”, diz.
Ele defende a ideia de que, para apreciar arte, é preciso ser criativo em alguma medida. A escritora Edith Wharton (1862-1937) disse coisa parecida quando escreveu um texto falando que todo mundo pode aprender a ler, mas nem todo mundo tem talento para ler ficção.
A obra depende muito do espectador, afirmou o semiólogo italiano Umberto Eco décadas atrás.
“A arte abre portas: ela permite a injeção de significados em algo que não tem sentido para outras pessoas e é por isso que as pessoas percebem a arte de maneiras diferentes e em camadas diferentes”, diz Abib Neto.
E o artista termina: “É preciso tentar entender por que você não gostou de uma determinada obra de arte. As pessoas não pensam nisso, mas você pode aprender muito sobre o tipo de arte que gosta observando arte que você não gosta, entendendo o que, exatamente, é que o incomoda. Nesse sentido, nenhuma exposição é perda de tempo: você sempre pode aprender alguma coisa sobre o que o interessa.”
O espírito da coisa
Em que espírito alguém deve ir ao museu? Ver uma exposição é para fazer pensar, é escapismo, é entretenimento? Existe algo numa ida ao museu que se compare a uma sessão de cinema com pipoca? Ou tem mais a ver com teatro?
Quando observou crianças passeando pelo museu, o artista plástico José Antonio de Lima percebeu que elas tinham a resposta para algumas dessas perguntas.
As crianças embarcam em qualquer tipo de experiência, têm menos resistência ao que está sendo mostrado e são crianças, enfim. Elas sabem muito pouco sobre tudo e reagem mais instintivamente. “Elas são curiosas e não têm tantos preconceitos como os adultos. Carregam menos bagagem”, diz Lima.
“Talvez a única atitude possível diante da obra de arte seja a de estar desarmado”, diz a artista gráfica Mariana Leme. “Qual o problema de questionar a validade artística das coisas? Ou qualquer outra validade? E a validade de todas as outras imagens/objetos da vida cotidiana? A arte pode ser o lugar da experiência enriquecedora, ‘Os Bichos’, da Lygia Clark, são um ótimo exemplo. Sem contar que as crianças adoram! Abaixo a solenidade, que estamos todos sem saber direito para onde ir.”
A falta de um rumo é estimulante às vezes ou, em outras, parece um muro entre o que foi feito e o público. Quem não é iniciado tem dificuldade de saber como reagir a obras bizarras ou até mesmo às obras-primas.
“Hordas de turistas visitam o Louvre todos os dias e ficam em pé diante de um Rembrandt, mas não sentem nada e caminham para a pintura ao lado”, diz o artista plástico Miguel Nicolau Abib Neto. “Ensinaram a eles que Rembrandt é um mestre, mas eles não conseguem entender por que e, às vezes, até gostariam de entender, mas não têm ferramentas adequadas para apreciar o trabalho. É por isso que as lojas dos museus estão sempre lotadas. Mais importante do que apreender algo abstrato acerca de uma determinada obra, é possuir algum tipo de objeto que eles imaginam ser capaz de validar, de materializar a visita ao museu.”
No Museu Oscar Niemeyer, pelo movimento que se vê nos fins de semana, é razoável supor que o Bosque do Papa atrai mais público do que a exposição dedicada a Poty Lazzarotto (1924-1998). Mas não precisava ser assim.
“Creio que possamos ir ao museu para passear, para emocionarmo-nos, para escapar, para sorrir ou chorar”, resume Benedito Costa, professor e crítico de arte. “Eu nunca vou a uma exposição, mostra, vernissage ou afim com muita expectativa. Espero que o objeto ou objetos que verei me emocione(m). No entanto, há exposições muito específicas, que exigem certo preparo, principalmente para quem não conhece arte. Isso deve ser levado em conta para qualquer exposição. Por isso, a importância de textos informativos, de guias, de esclarecimentos. Quando não conheço o trabalho a ser apreciado, leio sobre ele, procuro conhecer mais, antes de enfrentá-lo.”